Indício não é prova
Princípio central: um número ou padrão chama atenção e merece investigação, mas não comprova irregularidade.
Dados públicos revelam padrões: um valor parado em conta, uma concentração de recursos, um repasse fora do comum. Esses sinais são valiosos — apontam onde olhar. Mas um sinal é um ponto de partida para investigar, não um veredito.
Tratar indício como prova é a forma mais rápida de cometer injustiça e perder credibilidade. O caminho honesto é o oposto: mostrar o dado, explicar o que ele pode (e não pode) significar, e convidar à verificação na fonte. A conclusão exige apuração, contraditório e, muitas vezes, os órgãos de controle.
Um indicador não é uma acusação. Mostrar que algo merece atenção é diferente de afirmar que houve irregularidade — e essa diferença é o que separa informação de boato.