Sistema de evidências do gasto público
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Sobre

O Furo do Barco é uma iniciativa individual e independente que organiza dados factuais sobre o dinheiro público federal — divulgados pelo próprio governo — e os apresenta em linguagem clara, para qualquer pessoa acompanhar.

O que é

Todo ano, bilhões de reais saem do orçamento federal e chegam às cidades brasileiras: emendas indicadas por parlamentares, convênios e transferências da União, e a cota usada por deputados e senadores para o exercício do mandato. Esses dados já são públicos — mas vivem espalhados por sistemas oficiais diferentes, cada um com sua linguagem e seus formatos. O Furo do Barco reúne esse material num só lugar e o organiza para ser navegável: dá para começar no panorama de um estado e descer até o detalhe de uma cidade, de um nome ou de um documento.

Não é um portal novo de governo, nem um substituto das fontes oficiais. É uma camada de leitura sobre o que o Estado já divulga — pensada para reduzir o custo de entender, sem abrir mão do rigor.

De onde vêm os dados

Tudo aqui espelha bases públicas e oficiais do governo federal:

A origem de cada número fica registrada, junto com a data em que foi extraído. A página de Fontes de dados mostra o estado de cada base e quando foi atualizada pela última vez.

Os princípios

Dois cuidados guiam tudo o que aparece aqui:

Indicadores não são veredictos. Os números são o ponto de partida de uma investigação, não uma acusação. Um gasto alto, uma concentração ou uma anomalia podem ter explicações legítimas — servem para levantar perguntas, não para concluir.
Titular não é fornecedor. Na cota parlamentar, o deputado ou senador é o titular da cota; quem recebe o pagamento é o fornecedor (uma companhia aérea, um posto de gasolina, uma gráfica). E indicar uma emenda não é o mesmo que receber o dinheiro: o parlamentar aponta o destino, a União libera e uma entidade na ponta executa.

Há ainda um princípio editorial simples: mais fiel do que expansivo. Se a fonte oficial divulga um dado de forma nominal, ele pode ser espelhado e contextualizado; se a fonte divulga de forma agregada, ele não é reconstruído nominalmente por vias laterais. O objetivo é refletir com fidelidade, não ampliar exposição.

O que isto não é

Não é um detector de corrupção nem um tribunal. Não atribui culpa, não classifica pessoas e não substitui os órgãos de controle. É uma infraestrutura de leitura pública: um jeito de seguir o caminho do dinheiro e tirar as próprias conclusões, com a fonte sempre à mão.

Para entender em detalhe como ler cada número, veja Como funciona.